• naravidal

O dicionário verde de inglês

Atualizado: 12 de Out de 2019


Meu pai me esperava chegar em Guarani para organizar os livros, as pastas , as caixas de papel. Não joga nada fora, espera eu chegar. Ele me ouviu e lá estava tudo intacto coberto por uma grossa camada de tempo. Cartas com pedidos de desculpas, promessas de daqui pra frente, sonhos pulsando, frases tolas "mãe, ninguém aqui fala com o sotaque que aprendi. É super diferente." Falo hoje feito o estranho que me confundia. "A diferença, mãe, é que o a demora. Não é caipira. Não se fala paRk, se fala paaahk." eu lia enquanto segurava o pedaço de papel cheio de notícias ingênuas. O recibo da lua de mel dos meus pais no Hotel Regina, no Flamengo, em 1969. Gastaram na adega, notei. Fiquei feliz por eles. Livros da faculdade de direito de uma irmã, de alimentos da outra irmã. Didáticos, quem vai querer isso, pai? Ensinavam tudo errado pra gente. Educação Moral e Cívica. Joga fora ou guarda pra museu?

O dicionário verde de inglês, Achei jogado na casa dos meus avós, aos 8 anos. Abri e não entendi. Por isso quis ficar com ele. Minha irmã me disse que era inglês. Vou falar inglês. Quem será que fala inglês? Será que tem alguém no mundo que vai falar inglês comigo um dia? Camiseta nova de Natal. Escrito "easy love". Já sei o que é love. Tá marcado no dicionário verde.

Mês passado, em Guarani, arrumando os livros, abri no L e lá estava, há mais de trinta anos, um círculo na "palavra mais importante" no dicionário verde de inglês. Aos 8 anos o livro dos burros me ensinava. Eu era boba ou esperta demais. Nota: na mesma página "Louis" (Luiz) - essa vida é mesmo doida.

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#NaraVidal #aprenderinglês #Inglaterra #Londres

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