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Belém além dos pastéis




É difícil, numa cidade como Lisboa, selecionar uma área para aproveitar bem a cidade. A verdade é que, numa cidade cada vez mais procurada por turistas, o óbvio e o central passam a ser muito relativos. Enquanto bairros como Alfama e Príncipe Real são locais de uma enxurrada de estrangeiros em busca do sol e calor ibéricos, algumas áreas já muito conhecidas vão ganhando crescente interesse e renovação.


Belém, por exemplo, é destino certo para quem quer visitar dois dos mais famosos monumentos de Lisboa: o padrão dos descobrimentos e a torre de Belém, além, claro do imponente Mosteiro dos Jerônimos e provar os pastéis de Belém. Mas a injustiça de quem visita a área apenas por essas razões é imensa.


Se, como eu, você curte programas culturais e as artes, Belém é um prato cheio. Nessa área destacada das regiões mais óbvias de Lisboa, o turista vai encontrar preciosidades como o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia MAAT, que tem um café com uma vista privilegiada para o Tejo e de onde é possível rolar os minutos preguiçosos em taças de vinho branco local. Há a preciosidade que é o Museu Coleção Berardo, com obras mundialmente reconhecidas e celebradas de artistas como Francis Bacon, Chagall, Delaunay, Magritte, Pollock e Andy Warhol, e que merece toda a atenção, ainda que não haja restaurante ou café à altura no prédio. Destaco ainda a Cordoaria Nacional, sempre com boas exposições, algumas muito badaladas, e, também, o Museu da Etnologia, onde é possível ver de perto alguns dos saques das expedições portuguesas no século 16 e refletir sobre as invasões e exploração dos territórios coloniais.



Para aproveitar toda essa arte e cultura, escolher o hotel é crucial, já que eu não queria ter que pegar qualquer transporte para me movimentar em Belém. Ainda assim, a minha ideia era um hotel perto de todas as atrações, mas que fosse tranquilo sem estar isolado. Não há escolha melhor que o muito conveniente, mas também charmoso hotel Jerónimos 8. Um quatro estrelas perto de todo o burburinho, mas levemente fora da rota, numa curva ao lado do Mosteiro dos Jerônimos. A localização mais que perfeita!


Um hotel prático, com linhas contemporâneas, confortável, silencioso e elegante. Talvez eu tenha encontrado o melhor chuveiro de todos os hotéis, talvez. O amplo foyer construído em dois níveis, estabelece um espaço privado e atraente para a área de estar, com uma infinidade de sofás, quadros e esculturas, tudo com um charme modernista, que alternas tons crus de marrom, creme e vinho. A parede burgundy do meu quarto foi uma bela e contrastante surpresa com a cama de lençóis impecavelmente brancos e o céu azul de Lisboa. À minha disposição ainda, uma sala de estar privada, onde deu pra provar um copo ou dois de vinho tinto português, enquanto a noite caía na cidade.


Mas ainda que o hotel seja encantador o suficiente para justificar o pôr do sol dentro das quatro paredes burgundy, não deixe, por favor, de colocar os pés pra fora e testemunhar o Tejo e o sol quando se encontram. Afinal, ainda que o Jerónimos 8 seja um charme, honestamente, Belém banhando o Tejo é ainda melhor.


Nara Vidal é escritora.

Mora na Inglaterra.






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