• Sonaira D'Ávila

O ano astrológico de 2022 e a finitude das coisas

Atualizado: 21 de mar.


São dias estranhos que vivemos nesse final de ciclo e que marcam também o início do ano astrológico de 2022. Dia 20 de março, às 12h34 no horário de Brasilia, começa outro ano astrológico que é definido pela jornada que o Sol cumpre percorrendo os 12 signos do zodíaco: Áries é o primeiro e Peixes, o último. As previsões astrológicas para esse novo período indicam que tudo aquilo que tem caráter de inclusão e de comprometimento consciente vão estar em evidência.


Além disso, no mesmo dia, acontece no hemisfério sul o equinócio de outono. Nesse dia, o Sol incide de uma forma mais equilibrada na linha do equador. O hemisfério sul vai passar a receber menos luz solar do que no verão. O dia e a noite terão exatamente 12 horas cada um. Esse fenômeno astronômico só voltará a acontecer no equinócio da primavera, mas aí, o sol passará a receber mais luz do que no inverno.


Já do outro lado, no hemisfério norte acontece o equinócio de primavera simbolizando o desabrochar da vida, a primavera. Mas ambos os equinócios representam o equilíbrio e a renovação. O inicio de um novo ciclo.


Os céus estão nos sinalizando que é hora de dissolver ou findar processos . É o fechamento de uma fase para que outra comece. Quando olho em volta, percebo que o mundo reflete essa transição. Guerra, disputas idiotas, poderes velhos, rancores ancestrais, desordem, acúmulo, desperdício. A lista é grande.


Pode ser que esse olhar seja tendencioso, já que tenho lidado com o fim de um ciclo e a finitude de um jeito muito presente na minha vida. Estou vivendo essa mudança de ciclo de forma intensa. Os acontecimentos me levaram a algumas atitudes mais pragmáticas. Para uma pisciana é uma tremenda evolução.


MINHA EXPERIÊNCIA COM A FINITUDE


No meu pequeno mundo, a finitude é real. Minha mãe faleceu “de repente” no Rio numa virada de ano quando eu estava longe na minha primeira viagem com namorado que, hoje, é meu marido. Meu pai faleceu “do nada”, em Brasília, quando eu estava me mudando de Munique para Bad Reichenhall na Alemanha. Tenho uma irmã que mora no Rio e outra na Suécia, ambas morando sozinhas. A gente nunca imagina a hora das partidas e sempre somos apanhados de surpresa. Nunca estamos preparados.


Por questões familiares, tenho enfrentado situações que vem me obrigando a dar uma quinada na vida e reordenar as prioridades. É, meus queridos, temos prazo de validade e precisamos nos preparar para não sermos pegos com uma mão na frente e outra atrás.


Há um detalhe importante que a gente só se dá conta quando acontece de verdade. Por exemplo, se alguém da família adoece ou morre - como foi o caso dos meus pais – por onde começar para administrar toda vida burocrática de irmãos, maridos, esposas, filhos, avós?


DICAS PARA OS OS DOCUMENTOS DE QUEM VIVE FORA DO BRASIL

E se você mora fora do Brasil, o que você faz? Todos os documentos estão ao seu alcance? Há procurações, testamento? As certidões de casamento ou divórcio estão apostiladas com traduções e registradas nos dois países? Para quem não sabe: apostilar um documento é autenticar nos termos da Convenção de Haia a garantia da procedência e a validade fora do país onde foi emitido.


E, o que falar dos registros de imóveis, das contas de banco, das senhas, dos seguros, dos planos de saúde, tudo está em dia? Outra coisa, a lista de contatos da pessoa que você precisa ajudar está em suas mãos? Venho percebendo o quanto todas essas questões burocráticas nos tomam tempo ainda mais quando não temos conhecimento delas.


Haja sabedoria, dor, jogo de cintura, amor e, acima de tudo, respeito pelo outro que te confiou o cuidado com a sua vida. Ou o que sobrou dela. E como é difícil honrá-la. Para quem vive em dois países e tem duas línguas com culturas tão distintas, que é o caso, entre Brasil e Alemanha, é grande desafio.


Quem de nós tem tudo em dia com cópia para os parentes em caso de que algo nos aconteça? Se a gente não se prepara para essa transição de vida, acaba passando e/ou provocando um trabalhão danado. E, claro, a um custo financeiro e emocional grandes.


De tudo o que venho passando, desse ciclo que estou vivenciando, chego à conclusão que somos totalmente despreparados para lidar com a finitude, principalmente, a nossa. E não nos passa pela cabeça facilitar a vida dos outros. Tem mais de dois anos que me dedico diariamente a organizar, liberar, encaixotar, doar, arquivar, digitalizar, estruturar e, o mais complicado, deixar ir embora o que não nos serve mais.


Somos finitos e esta é a nossa única certeza quando nascemos. Definitivamente nossa sociedade não nos ensina a cuidarmos da nossa partida como cuidamos da chegada. E assim, acumulamos frustrações e despesas por não conseguirmos ser leves e óbvios com o curso da vida. A nossa prepotência nos mata.


Mas aí vem a vida e nos ensina de novo. Tudo passa!

Bem-vindo equinócio de outono e o ano astrológico de 2022.

Bem-vindo novo ciclo.

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Fotos: Pixabay

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