• Do Rio pra cá

O que aprendi como mãe brasileira na França

Atualizado: 6 de Out de 2019


País novo, cultura nova na França.

Tem uma pergunta que sempre me fazem, desde que me mudei pra cá: o que aprendi como mãe brasileira na França? Entrar numa nova cultura pode ser uma grande vantagem para enriquecimento pessoal. Porém, pode ser também a porta de entrada para criação de choques culturais. Em alguns casos pode gerar até eletrochoques entre pessoas. Brincadeiras à parte... a verdade é que nem todas as culturas lidam com as regras da mesma maneira, mas aceitá-las ou, pelo menos, tentar assimilar as diferenças entre países é o melhor caminho para morar feliz do outro lado do Atlântico. Pelo menos é o que eu penso. Afinal, há 16 anos escolhi morar no Velho Continente.

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Riqueza ou obstáculo?

Ao refletir sobre as diferenças entre brasileiros e franceses na pele de uma mãe, listei alguns pontos para os nossos leitores. Vale lembrar que a lista não é exaustiva. Pode ser longa e ir muito além desses poucos itens.

Vamos à lista enumerada:

1. Quando se nasce aqui na França

É comum a criança ser registrada com mais de um nomequando se nasce aqui na França. Por exemplo, Jean Pierre Mathieu. No cotidiano, a criança é chamada somente pelo primeiro nome. Já o sobrenome, é dado somente um ou dois no máximo. O sobrenome do pai vem primeiro e, por último, vem o da mãe.

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2. Uma vez na escola

Na escola chamamos os professores por Senhor (Monsieur) ou por Senhora (Madame). Há professores mais informais que acabam aceitando ser chamados pelo nome, mas é raro.

3. Aniversários de criança na França

Nos aniversários de criança o foco é a criança. O bolo é o prato principal acompanhado de água ou suco de frutas. Os pais dos amigos não são convidados. Há sempre uma atividade lúdica e horário para começar e para terminar a festinha. Depois de cortarem o bolo, as crianças continuam brincando.

4. Os pais ajudam na escola

É muito comum nas escolas (grande maioria pública) os pais serem chamados para dar uma mãozinha na pintura da escola ou acompanhar os professores em passeios a museus, fazendas, parques. Isso porque a maioria das escolas são publicas e o valor da inscrição é ínfimo. A não ser que a criança seja matriculada em escolas particulares católicas cuja mensalidade não pode ser comparada com nenhuma escola privada no Brasil, pois o preço é muito mais barato aqui. Mas há escolas também privadas (sistema internacional, por exemplo) em que os preços são altos, podendo chegar a custar o mesmo que uma escola particular no Brasil. Mas são reservadas às pessoas de classe alta ou às ex-patriadas.

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5. Cumprimentos em qualquer lugar

Ao entrar em qualquer lugar, é comum cumprimentarem com um Bonjour e, ao deixar o local, au revoir. Há outras variantes, mas hoje vamos nos ater a essas. Desde que a criança vai à creche, o Bonjour e o au revoir tem que estar presentes. O costume começa até antes, em casa mesmo.

6. Cada centavo vale

Ao fazer compras, os preços não são arredondados para cima ou para baixo. Os centavos têm valor. Os estabelecimentos sempre têm troco para dar. No começo eu saía dos locais sem prestar atenção nos tais centavos e a moça ou o moço do caixa sempre me alertava chamando el voz alta: - Madame, Madame, votre échange (Senhora, senhora, o seu troco).

7. Encontros marcados

Dificilmente você poderá ir ao banco e pedir para falar com o gerente sem o famoso RDV (rendez-vous), um horário marcado. Você tem quase 100% de chance de não ser atendido.

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8. Fumantes desde cedo

Tem um ponto aqui que me tira do sério. Os jovens têm o costume de ficar apinhados nas portas dos colégios fumando cigarro. Numa mão o celular e, na outra, um cigarrinho. Uma fumaça é sempre vista acima de suas cabeças.

9. E como reclamam os franceses

Os franceses, quando estão nervosos, e isso pode ser algo bem natural neles, é comum bufar. E por tudo. Bufam porque é verão, bufam porque é inverno, bufam porque acabaram as férias, bufam porque trabalham e, sobretudo, porque pagam impostos...Com a reclamação, vem junto os olhos que apontam para cima mostrando impaciência. O melhor é ficar longe ou replicar. Ou entrar na dança deles!

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10. Sabor nacional

Mas tem aqui um patrimônio nacional que é preciso tirar o chapéu: os queijos. Desde pequeninas, as crianças já são convidadas a experimentarem a iguaria. Durante as refeições, os queijos são servidos antecedendo a sobremesa, acompanhados de pães.

Posto esta listinha, hoje posso dizer que lido bem com as diferenças culturais dos dois países. Aprendi muito sendo mãe brasileira na França, e não me arrependo. O segredo é a gente fazer uma mistura dessas culturas e privilegiar o que elas nos oferecem de melhor para nos tornarmos também pessoas melhores, mais tolerantes e com uma visão panorâmica do mundo.

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Ivna Maluly é formada em jornalismo e tradução. Mora em Lyon e dá aulas de português para europeus. E tem uma página de livros infantis bem legal aqui.

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