• Do Rio pra cá

Tô pra lá de Marrakesh!


Nesses 33 anos de vida, olho para o retrovisor e vejo o tanto de estradas pitorescas que percorrí. Como esta ou esta aqui. Algumas de asfalto liso, outras mais áridas... e aquelas tão desniveladas que sacudiram todas as minhas dúvidas e principalmente as minhas certezas.

Países, sabores, pessoas diferentes. Que romperam com a minha rigidez estática de achar que sei alguma coisa para me transformar na pessoa que sou hoje: alguém fragmentado que se encontra em diversas possibilidades de pontos de vista. Uma vez ouvi de alguém que "amadurecer é um eterno desconstruir-se". Morar fora do seu país é mais do que ver novas paisagens: é um convite a revermos tudo o que já conhecemos a partir de uma nova perspectiva.

Quando eu acho que já vi de tudo, vem a tal da Vida e me demonstra que sempre há algo diferente do que já conheço, do que já experienciei. E lá vou eu pra lá de Marrakesh, literalmente!

Comecei há duas semana uma nova jornada profissional que me exige morar durante 5 meses em 2 cidades diferentes de forma alternada: Paulínia (Brasil) e Ouarzazate (Marrocos).

A aventura começou pela parte internacional, o que de alguma maneira me instigou mais, já que para construir minha personagem, poderei me inspirar na vibe da cultura local num laboratório de imersão. Ouarzazate é um grande polo cinematográfico situado no sul do Marrocos, e que está a quatro horas de carro de Marrakesh. Foi aqui que grandes produções renomadas foram filmadas, como "Gladiador", "Game of Thrones", "Babel", " A Jóia do Nilo", "A Última Tentação de Cristo" entre tantas outras internacionalmente conhecidas. Confesso que este dado alimentou o ego e o encantamento da minha atriz, de não só poder conhecer, mas de ter a oportunidade de trabalhar onde tantos profissionais que admiro também já trabalharam. A língua local é a berbere, mas há uma grande parte da população que fala árabe e principalmente francês, o que me trouxe a certeza de que teria sérios problemas em me comunicar já que não falo nenhum dos 3 idiomas.

Estimou-se em 2012 que aqui haviam 61.870 habitantes, e pelo que notei, esse número não deve ter crescido muito desde então. Tudo aqui é tão diferente da cultura brasileira que meus olhos já têm uma pre-disposição extremamente aguçada e curiosa a cada vez que ponho o pé fora do hotel. Aliás, a produção da série de tv, da qual faço parte, aconselhou à todas nós mulheres que sempre saíssemos acompanhadas de pelo menos um homem e que tomássemos o cuidado de não usarmos roupas coladas ou que expusessem nosso corpo em demasia. Tudo obviamente, por motivos de precaução e segurança. Ser mulher no Marrocos é um tema à parte, mas isso eu vou deixar para um próximo texto exclusivo.

A arquitetura local me chama muito a atenção pela cor única de todas as casas e estabelecimentos comerciais: terracota. ( Ouvi dizer que há inclusive uma regra do Governo sobre isso, para que nada contraste com a beleza natural local.) A comida marroquina lembra muito o sabor da comida indiana, já que é bastante condimentada. Um dos pratos principais além do Couscous marroquino, é o Tagine: um ensopado de carne com muitos legumes. Num geral, do que pude perceber, a gastronomia daqui é mais saudável, com fortíssima presença de vegetais e poucas frituras. Um prato muito bem servido aqui custa em média 45,00 dihams (17,00 reais!). A minha dica imperdível é o famoso "jus d'orange" (suco de laranja): feito da tangerina, a mais doce e saborosa que já provei na vida!

As artesanias daqui são de uma lindeza muito específica mas que de alguma forma, também se assemelha à indiana. Assim como as pashiminas, colares e anéis. Tudo pode ser conseguido à preço de banana, mas sempre que bem pechinchado e negociado. (Costume de respeito por aqui!) Essa cidade que também é apelidada como "porta do deserto" possui no momento uma temperatura nada agradável para um carioca tradicional. A média tem sido de 6 graus cedinho da manhã e à noite, e 16 graus à tarde. Ou seja, roupa térmica virou elemento básico de todos os dias.

O ar absurdamente seco tem ressecado nossas vias nasais, lábios e pele. Também por isso o famoso óleo de argan, faz muito sucesso por aqui. (Sou a prova viva de que nenhum creminho hidratante de farmácia tem conseguido dar conta do recado.)

Mesmo com tantas adversidades, de gravar cenas no frio, de não conseguir me comunicar perfeitamente como gostaria, a saudade da minha família, do meu namorado, do meu arroz com feijão preto, do meu açaí... me sinto extremamente sortuda de ter um trabalho que me proporciona tantas experiências ricas e que me possibilita conhecer paisagens que jamais pensei que um dia teria grana para ver de perto. E é dentro dessa cápsula de gratidão que viajo daqui pra lá, de cá pra lá e compartilho tudo com vocês... Pra lá de Marrakesh! Eu sou Hylka Maria, e eu tô DO RIO PRA CÁ! Salam aleikum! ("A paz de Deus esteja com você"). E se você quer saber um pouco mais das nossas histórias , passa lá na nossas páginas no Facebook, Instagram, YouTube.​ A gente vai gostar.

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