• Ana Maria Villaça

A Revolução dos Cravos em Portugal


E, lá se vão 48 anos desde o movimento que mudou a vida do país e dos portugueses. Hoje, é feriado em Portugal. A Revolução dos Cravos ocorreu em 25 de Abril de 1974 e abriu precedente para uma nova proposta de nação. A Revolução dá nome a uma das mais famosas pontes do país que paira sobre o rio Tejo (abaixo).

A Revolução dos Cravos promoveu o fim do regime ditatorial do Estado Novo Português então liderado por Antônio de Oliveira Salazar e, posteriormente, por Marcello Caetano. Essa deposição do governo salazarista fez com que se estabelecesse a liberdade democrática, as transformações e as reformas sociais em Portugal.


UM POUCO DA HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

A Ditadura Militar, instituída em 28 de maio de 1926, deu origem ao Estado Novo idealizado e gerido por Salazar. Afastado do poder por doença incapacitante, a chefia do governo foi entregue a Marcelo Caetano em 1968. Este herdou, entre outros problemas, uma guerra colonial em três frentes sem solução militar aparente ou vontade política para colocar um fim no porcesso de colonização de muitos séculos. Cansados da guerra, os militares profissionais revindicaram movimentações de caráter corporativo que rapidamente se transformaram em reivindicações políticas que acabaram levando ao fim do regime de força.


Foi o movimento das Forças Armadas (MFA) que desencadeou uma revolta militar em grande escala conseguindo derrubar o regime sem o emprego da força e sem causar vítimas. Esse fim se acelera depois de uma tentativa frustrada protagonizada pelo Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha em16 de março de 1974.


Em perfeita coordenação, os elementos envolvidos na conspiração tomam conta das respectivas unidades. Eles formam colunas de voluntários, convergem para os grandes centros e ocupam todos os pontos estratégicos de Portugal colocando as forças fiéis ao governo em posição de desvantagem e na defensiva. Sem disparar um tiro, cobrem praticamente todo o país.


MOMENTOS DE TENSÃO EM LISBOA

Apenas dois momentos tensos foram registrados naquela primeira fase e ambos aconteceram em Lisboa protagonizados por um jovem capitão de cavalaria, Salgueiro Maia.


Um deles foi o encontro com um destacamento de blindados obediente ao Governo, que por pouco não acaba em ação de fogo. No entanto, este se resolve quando as tropas envolvidas se colocam às ordens do capitão. O outro se deu horas mais tarde quando o mesmo oficial manda abrir fogo sobre a parede exterior do quartel da GNR no Carmo como forma de persuadir Marcello Caetano lá refugiado. O chefe do Governo acaba por se render ao General António de Spínola com medo de que o poder fosse para as ruas e a tensão crescesse.


UMA MANCHA NO MOVIMENTO


Só um incidente iria manchar os acontecimentos. Agentes da DGS, barricados na sua sede, abrem fogo sobre manifestantes o que causou alguns mortos e feridos. Apesar da brutalidade, não passa de um ato de desespero não sendo sequer um ato de defesa do regime. “Como a monarquia em 5 de outubro de 1910 e a república em 28 de maio de 1926, um regime cai por não ter já quem o defenda e queira dar a vida por ele”.


Os que comandavam a revolta fizeram sair do Quartel do Carmo o primeiro-ministro, Marcello Caetano, e o Presidente da República, Américo Thomaz, num carro de combate a fim de os poupar da exaltação pública. Pouco depois, os dois seriam transferidos para a ilha da Madeira e em 20 de maio para o Brasil.


Algumas horas após a transmissão de poderes de Marcello Caetano para as mãos de Spínola, foi constituído um órgão governativo provisório com representação de todos os ramos das Forças Armadas e da Junta de Salvação Nacional. Os militares subalternos que acabavam de fazer triunfar a revolução do "Movimento dos Capitães", em nome do da hierarquia, entregaram o poder nas mãos de oficiais generais.


O PODER MUDA DE MÃOS


Em 26 de abril, os 128 presos políticos foram libertados. Álvaro Cunhal chegou a Lisboa e deu a sua primeira entrevista em cima de um tanque. Mário Soares, secretário-geral do Partido Socialista, e outros refugiados voltam também para Portugal. Os membros da polícia política são presos.


Nos meses seguintes, o país assiste a uma movimentação febril de mudanças sem precedentes. São criados partidos das mais diversas orientações; alianças foram feitas e desfeitas; surge a força das organizações sindicais e floresce uma variadíssima imprensa livre.


Além disso, são estabelecidas as relações diplomáticas com todos os países do globo; começa a descolonização por via negocial, mas também se vive o perigo dos golpes militares de orientações diversas e surge o terrorismo como método político.


O país chega se sentir ameaçado pela guerra civil. Até que no fim de 1975, se alcança uma situação que permite caminhar para a estabilização de um sistema político democrático.


O CRAVO, POR ACASO O SÍMBOLO DA REVOLUÇÃO

No dia da revolução, uma pastelaria na Baixa, em Lisboa, se preparava para comemorar mais um aniversário oferecendo flores a todos os clientes. Uma funcionária da loja passou pelos militares e distribui os cravos vermelhos. Os soldados os puseram nos canos das espingardas.


Esta imagem de uma arma que, ainda que dispare, só iria atirar flores foi captada por fotógrafos e adotada para um cartaz amplamente divulgado. O cravo se tornou a imagem da revolução e o 25 de abril ficou conhecido como a "Revolução dos Cravos".


Fonte: infopedia.pt

Fotos: Pixabay

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