• Do Rio pra cá

Morar no México é meu destino


Turistando em casa.

Se existe destino, me parece que essa minha relação com o México já estava traçada. Olhando para trás me dou conta que ele sozinho apareceu na minha história e segue aparecendo quase que de maneira arbitraria, por conta própria. Mais que nunca, morar no México é meu destino. Na minha pré-adolescência trabalhei como repórter-correspondente do Brasil para um programa do canal Discovery Kids, onde os âncoras eram um casal de mexicanos e aos 15 anos, tive que ir gravar com os mesmos nos estúdios da Cidade do México. Duas viagens naquele mesmo ano.

Em 2013 minha agência de modelos do Brasil fecha um contrato de um ano para eu modelar no México e, em 2016, por livre e espontânea vontade, decido voltar à morar nessa terra que, como podem notar, na minha vida sempre esteve intimamente ligada à prosperidade e abundância.

Dizem que “casa”, é o lugar onde seu coração está. E para mim, o coração só pode estar tranquilo se aí posso também ter meus custos de sobrevivência garantidos. E por sorte, coincidência ou poesia, o México me deu combo completo: trabalho, custo de vida baixo, amigos de verdade e experiências pra lá de especiais. Receita perfeita para chama-lo de “meu amor” e “meu lar”.

Entre idas e vindas, ja que o Brasil profissionalmente é tipo aquele carinha com quem tenho muita química mas que só me procura quando não to dando mais bola pra ele, este ano quando estava tudo meio fora do trilho, possibilidades de eu morar e trabalhar na Argentina, meu bom e velho México me convida de volta. Projetos escritos para serem produzidos e filmados em Buenos Aires, como num passe de mágica, acabaram sozinhos por serem abduzidos pelo mercado audiovisual mexicano. E eu? Com sorriso no rosto, subi na nave!

Por 15 dias, estive em território mexicano para reuniões dos projetos, pré-produção, casting com atores locais e pela primeira vez, podendo apresentar esse meu lar pela primeira vez ao meu sócio e namorado que é argentino.

Apresentar a alguém nossa cidade-lar é impreterivelmente um convite à nós mesmos de observá-la sem o filtro do costume.

Foi muito curioso estar na Cidade do México e não ir a nenhum casting de comercial. E por isso, não me preocupar tanto com as calorias ingeridas diariamente. Me permiti ser turista em casa!

A cada rua que mostrava ao meu namorado, a cada guloseima exoticamente apimentada, eu me reapaixonava por tudo aquilo que já conhecia.

A simpatia genuína dos mexicanos me (re)encantou.

Depois de um ano distante dessa realidade cotidiana, surpreendentemente percebi de maneira mais clara essa pré-disposição mexicana ao sorriso, à empatia, à gentileza e bom humor que, para eles, é inerente e extremamente natural no seu conviver.

Essa minha nova percepção foi o que mais me tocou e entendo que não só o distanciamento, mas a convivência com a cultura argentina e ate mesmo a brasileira fizeram com que a cultura mexicana brilhasse mais aos meus olhos já que, inevitavelmente através da memória a mente nos convida a uma comparação.

Comida picante

Me assustei com a quantidade de comida altamente picante à que uma pessoa está exposta no México! Meu organismo não digeriu muito bem nos primeiros dias e o coitado do meu namorado sentiu durante toda a viagem o ardor dos chiles quando ia ao banheiro.

Dizem que é preciso um distanciamento para poder ver e entender melhor algo ou uma certa situação. E essa viagem para mim, foi a prova real disso.

Claro que nos transformamos a cada dia e a Hylka de um ano atrás já não existe. Por mais que a memória do que vivi durante 2 anos no México siga viva aqui dentro de mim, minha percepção e até mesmo opinião sobre certas questões da cultura local mudaram muito.

Maior tolerância

Me percebi agora mais tolerante com certas características dos mexicanos que antes me irritavam muito. Observei melhor que a sensação de submissão e sequelas de um povo violentamente colonizado seguem vivos em cada conversa com todas as pessoas que esbarrei de classe mais baixa de lá.

Que ainda que o movimento dos narcotraficantes tenha crescido muito, ainda me sinto muito mais segura numa madrugada da Cidade do México do que ao meio-dia no Rio de Janeiro. Que pelas trilhas que caminhei, jamais encontrei uma qualidade altíssima de serviço que pudesse se comparar à que existe no México.

Que um ano distante dos meus amigos locais não foi suficiente para fragilizar um só fio da minha relação com eles e que essa rede de pessoas queridas continua me ajudando quando mais preciso.

Uma paixão

Na minha opinião, amar é genuinamente seguir escolhendo diariamente o mesmo, apesar dos pesares.

Sem fechar os olhos para suas imperfeiçoes, sinto que existe em mim um encantamento latente por esse país que sempre me acolhe de braços abertos, me aceitando e me celebrando do jeitinho que eu sou.

Destino! Morar no México é mais que isso.

Sigo então, de aeroporto em aeroporto, mas com uma malinha minha guardada (literalmente!) nesse México.

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(to be continued…)

#HylkaMaria #México #morarnoMéxico

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