• Dani Paiva

Na terra do duque da Cornualha, Príncipe Charles da Inglaterra


Um momento de tranquilidade nesse passeio a St. Ives na costa sul do Reino Unido. ( Foto: Acervo Pessoal)

Em um momento muito bem-vindo de pausa e respiro, rumei pela segunda vez para a terra do Duque da Cornualha, o príncipe Charles, aqui, na Inglaterra.


Um dos pontos altos do passeio foi a galeria Anima Mundi, em St Ives, que abrigou a abertura da exposição de Arthur Lanyon. O artista de 35 anos é neto de Peter Lanyon, reconhecido nome local e modernista que teve vida breve. Morreu em um acidente de parapente, mas se tornou um dos ícones de Cornwall, que , aliás, é um grande pólo cultural.


Arthur mostra personalidade em quadros que não renegam o passado. O abstracionismo e o construtivismo do avô estão presentes, mas buscam um diálogo próprio explorando pontos de luz e luminosidade pictórica. São quadros instigantes que desafiam um pouco o olhar do observador.


A experiência de entrar em uma galeria em fase de reabertura de espaços por conta da pandemia é rasgante. Enquanto, em outras épocas a ocasião seria de badalação capaz de fisgar quem perambula por ali, a Anima Mundi está situada bem no centro de St. Ives, o clima era silencioso. Nesses tempos, ir além da vitrine parece ato de ousadia. Raro alguém parar, mesmo de máscara e passar da porta.


O dono da galeria nos contou sobre a frustração de ter que adaptar e driblar a experiência viva para a online, inclusive no processo de venda. O movimento baixo, as mudanças nos horários de funcionamento em uma galeria privilegiada de três andares., enfim, nada fácil.


PASSEANDO PELA ORLA COM O SOL DE FIM DE VERÃO


O Príncipe Charles tem o título de Duque da Cornualha, região a qual pertence St. Ives ( Foto: Acervo Pessoal)

Na sequência, eu e meus anfitriões incríveis, talentosos e generosos caminhamos pela orla da charmosa de St. Ives, da qual já comentei aqui sobre uma visita à Tate Modern com exposição de Naum Gabo. Ele é o artista e escultor Tim Shaw, da Royal Academy, e ela é Dina Ipavic, cantora. A cidade costeira ao sul do Reino Unido, no Mar Celta, já foi uma colônia pesqueira. Hoje, é um resort de férias e reduto de vários artistas.


Uma caminhada pelo mato em Zennor, uma vila na costa norte de Penzance, em Cornwall (Cornualha). Estava com a roupa completamente errada. Achei que um tênis bastava para o meu macacão vermelho. Mas, aqui, vi uma aranha mais bonita, com corpo laranja e pernas longas, uma mistura com joaninha e me reconectei com um tanto de coisa.


Zennor é a última paróquia de acordo com as paróquias na Inglaterra, seguindo o alfabeto. D. H. Lawrence viveu por ali. Há um pub de mais de 700 anos e também a igreja de St Senara, construída lá pelo século 6 AC. Algo, assim, difícil de descrever em um dia claro e deliciosamente quente.


Esse é um salgado típico da região. O que eu comi estava recheado de carne de carneiro ( Foto: Acervo Pessoal)

Matávamos a fome com algo super típico local. Quem adivinha?


O resto do país conhece a fama desse salgado com cara de dinossauro. Antes dessa foto, me aventurei a provar um em Norwich, onde tinha uma franchise que vende esse salgado. Na ocasião, fiquei decepcionada.


Achei meio bruto, sem graça. Mudei de opinião com esse da Pengenna em St Ives. É claro, com uma boa história pra contar. Afinal, são mais de 30 anos de um negócio familiar e de mão na massa. O ‘pastel’ tinha massa fina, delicada, mas tamanho gigante. Tive que comer em etapas e acabei por carregar o restante por algumas horas na bolsa.


Pasties são como as nossas empadas ou pastéis de forno ou como as empanadas argentinas ou como as esfihas fechadas libanesas. O princípio é similar: massa, recheio, fecha, vai para o forno. Acho fascinante como certas receitas são parecidas apesar de se expressarem em culturas tão diferentes. Será fruto de uma vibração energética gastronômica onipresente além do natural leva-e-traz humano?


Essa que comi era de carneiro com menta. Os pedaços de cebola dão aquele gostinho de comida de verdade, sabe? A loja é uma diversão: a massa é preparada na vitrine. Tem aquele cheirinho gostoso de coisa fresca.


A pasty da região de Cornish tem PGI (Protected Geographic Indication) da União Europeia. Ou seja, só é legítima Cornish Pasty se seguir algumas especificações como o formato em ‘D’ e a preparação local. Pode ser assado fora, mas só é Cornish Pasty se for feito na região de Cornwall. Anota aí para quando o mundo voltar a poder ser visitado de novo. Esse salgado típico dessa região é ótimo!


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