• Do Rio pra cá

Tema livre


O Jane Austen's House Museum fica em Chawton, arredores de Alton, Hampshire, Inglaterra. (Foto: Cristiane Ballard)

Recebi um convite para escrever para mulheres sobre algum assunto que fosse interessante para esse público. Pensei e continuei a pensar... Chegar a conclusão sobre o tópico do meu texto não foi tarefa fácil e, por isso, quero chama-lo de tema livre.

Livre que, segundo o dicionário, significa: com liberdade; ser senhor de si e de suas ações. Explico a escolha desse tema com uma curta história. Sabe aquela pessoa que pensa demais e o tempo todo? Essa sou eu. Daquelas que sonham de uma maneira tão viva que acordam no dia seguinte como se não tivessem descansado por nem um segundo sequer. Só me toquei que isso não era legal quando compreendi que era uma forma de suposto controle e perfeccionismo que me deixa extremamente paranoica.

Aos 31 anos, porém, resolvi deixar minha vida controladora de lado por alguns momentos. Por três semanas embarquei na viagem menos planejada e, sem dúvidas, a melhor até hoje! Posso dizer com toda a certeza que me reencontrei nessa jornada e muitas foram as conclusões que tirei. Tive, inclusive, uma grande amiga que me ajudou a compreender um tantão de coisas. Essa amiga, entretanto, nos deixou há mais de 200 anos...

Uma escritora britânica que tanto sofreu para poder ganhar dinheiro com sua escrita foi essa companheira fiel. Jane Austen, em pleno 1800, estava escrevendo de alguma forma sobre liberdade, mesmo sem poder tê-la completamente. Essa admiração me fez ir até a casa onde ela morou em seus últimos anos de vida, revisou suas histórias mais famosas e escreveu outras.

Visitar o Jane Austen’s House Museum, no interior da Inglaterra, me fez voltar no tempo e imaginar como a vida deveria ser. Pensei na calmaria do campo, no tempo livre para cozinhar, bordar, tocar piano, ir a bailes... Mas pensar no outro lado da moeda me assustou muito: casamentos arranjados, não poder trabalhar, não poder andar na rua desacompanhada e ser podada pelo simples fato de ser mulher.

A escritora adorava a casa onde viveu os últimos anos de vida. (Foto: Cristiane Ballard)

Austen escreveu um livro chamado persuasão no qual uma das personagens fala para o marido: “Detesto ouvi-lo falar assim, como se todas as mulheres fossem damas delicadas em vez de seres racionais. Nenhuma de nós espera ter mar calmo todos os dias”. Ah, Jane! Obrigada por ser uma feminista antes mesmo desse termo existir.

Hoje, aqui no Brasil, temos a possibilidade de escolher nossos companheiros ou companheiras, podemos trabalhar e viajar sozinhas. Mas o ruim é olhar a minha volta todos os dias e perceber que aquele descontrole que acontece comigo, acontece com várias. Quantas e quantas outras mulheres também ficam com pensamentos acelerados e até mesmo um pouco loucas para que tudo fique sob controle. É tanta coisa para fazermos e ainda precisamos estar sempre lindas e sem olheiras. O sorriso doce e acolhedor que temos nos lábios muitas vezes acabam sendo falsos...

Somos mulheres livres, minhas amigas! Devemos nos aventurar em mares agitados e, ao mesmo tempo, encontrar a calmaria dentro de nós. Até porque, infelizmente, a liberdade feminina é muito podada pela sociedade. Somos cobradas para sermos as melhores em tudo! No trabalho, na criação dos filhos, na manutenção da família de comercial de margarina...Quando, na realidade, tudo deveria ser um trabalho em conjunto. Nós, queridas mulheres, precisamos nos lembrar naquelas que nada tinham de liberdade e que tanto sonharam com as conquistas que estamos a conseguir.

É pelas mulheres de ontem que não podemos deixar que julgamentos ocorram! Que possamos olhar para outras mulheres, como nós, e entender que cada uma possui sua singularidade e isso é o mais incrível de todo o processo. Não é um cabelo maravilhoso ou um tipo físico específico que irá nos definir. O que nos define são nossos atos, nossas lutas, nossos olhos brilhantes e sorrisos satisfeitos com o caminho que estamos trilhando.

Se hoje, após meu momento reflexão, pudesse escolher uma rota para chamar de minha, escolheria a da liberdade. Liberdade para ser o que quiser, fazer as loucuras que me der na telha e voar livre não só pelo mundo, mas também na criatividade de ser feliz por ser senhora de mim!

Cristiane Ballard é muitas em uma só! Comunicóloga, jornalista, artista, escritora, professora, profissional de marketing e amante de viagens. Nascida do outro lado da Baía de Guanabara, sonha em conhecer o mundo e explorar cada momento que a vida proporciona.

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