• Dani Paiva

O amor nos tempos modernos em Londres

Atualizado: 12 de Out de 2019


Não lembro se já falei por aqui do Barbican, mas o complexo é um dos meus refúgios prediletos, com seu corpo de concreto e pele de granito. É lá que escapo do frio e da chuva, das filas gigantes dos museus, dos shows superlotado, dos excessos.

E nesta reta final de 2018, minha alma clama por um pouco de poesia, sabe? Ô ano de desamor rolando por aí. Ô ano de sofrência na ilhota do meu serzinho. Ô ano complicado aqui, ali, acolá.

Pois bem, estive recentemente no Barbican para renovar meus votos de amor ao amor com a exposição “Modern Couples”: Art, Intimacy and the Avant-garde, que vai até 27 de janeiro. É o amor nos tempos modernos aqui em Londres.

A isca – e que isca! – é a coleção de artistas essenciais, individuais ou em casal, como Pablo Picasso e Dora Maar; Camille Claudel e Rodin; Frida Kahlo e Diego Rivera. Aí você pensa nas obras dessa turma toda que estarão à disposição do deleite, como fotografias, esculturas, pinturas.

Mas, são as cartas, os textos contando cada história de amor e desamor, e mais as revelações, os gritos, as juras, as trocas intensas que tocam a alma da gente. Quem nunca sentiu pulsar as palavras de Rodin, mesmo pertencendo ao mundano mundo: “I express in a loud voice what all artists think: Desire! Desire! What a formidable stimulant”. (Eu expresso em voz alta o que todos os artistas pensam: Desejo! Desejo! Que estimulante formidável!)

Rodin e Camille parecem explorar o tesão como se fosse uma dança. Macho Picasso vira quase paródia na lente de Dora Maar. Muso e musa misturam-se, como em tantos outros encontros, com resultados vezes provocadores, outros delicados.

“My wish is that you may be loved to the point of madness”. “Meu desejo é que você seja amada até o ponto de loucura”, diz Breton no manifesto surrealista sobre a arte do amor de 1937.

Picasso e Dora Maar

Ô amor louco... Que joga suas palavras assim, instigando... como as de Dalí para Garcia Lorca. “You are a Christian whirlwind and you are in need of some of my paganism”. “Você é um redemoinho cristão e precisa de um pouco do meu paganismo.” E a força e a beleza do poliamor de Monroe Wheeler, Glenway Wescott e George Platt?

Perca-se. Deixe-se. Contamine-se. Deixe o tempo passar. Ou volte outra vez, como eu farei algumas vezes.

Pois bem, é que o amor, fugaz ou para todo o sempre, ainda que esse sempre seja equivalente a 1, 2, 3, 20, 25 anos ou pós-suspiro final, vale a vida. É, acho que renovei meus votos de amor ao amor. E como estão os seus?

Mais informações aqui.

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