• Dani Paiva

Galeria The Baldwin, uma pequena joia em Londres fecha as portas

Atualizado: 6 de Out de 2019


Essa semana, um dos segredos mais charmosos de Londres, escondido na Zona 3 e distante do circuito super turístico de museus incríveis, fechou as portas. A Galeria The Baldwin desaparece da cidade como espaço físico e se transforma em grupo curatorial e de consultoria de arte canadense indígena e ambiental.

Dennison Smith, escritora norte-americana renomada que durante mais de três anos fez desse espaço sua casa e salão de arte, retorna aos Estados Unidos.

A história da minha pequena empresa de conexão, comida e cultura está diretamente ligada à Baldwin. Grande parte dos eventos do Cooking New Stories foram abrigados no luxuoso e aconchegante espaço.

Por lá, estreamos com espírito festivo, criando um colorido Carnival Extravaganza ao lado de Janaína Campoy, marqueteira, anfitriã e cozinheira de mão cheia, apaixonadíssima pela arte de receber muito bem.

Mais um ingrediente de orgulho dessa noite: está lá registrado o primeiro show de Caco Barros em Londres, aqui emoldurado como dupla To Blend e junto com Odila Giunta, queridíssima agitadora cultural e cantora.

Ao longo desse tempo, os eventos do Cooknst, batizados de Mixed Sessions, misturaram-se aos salões promovidos pela própria Baldwin. Essa parceria resultou em um poderoso formato colaborativo de mulheres empreendedoras na luta para transformar uma ideia em algo vivo e capaz de tocar as pessoas. Emocioná-las, talvez, ou ajudá-las a ver o mundo de um jeito diferente. A pensar.... Ou pelo menos deixar um sorriso naquele momento.

Dessa maneira, o Cooknst ganhou um espaço para eventos sazonais com uma pegada mais easy-going de comida, música e arte. Já a Baldwin contou com a minha mão na cozinha (um tanto amadora, mas recheada de coração) para as suas iniciativas, que foram de jantares exclusivos para seus artistas a salões mais vanguardistas, inspirados na tradição de encontros socioculturais que data do século 17 na França e seguiu fazendo burburinho até os anos 50.

Juntas, acabamos por construir um interessante terreno entre o formal e o informal. Prestamos serviço vendendo ingressos para os eventos, oferecendo menus especialmente elaborados para cada ocasião e dissecando as histórias e conexões por trás das seleções e da nossa trajetória como empreendedoras.

Procuramos aprimorar cada detalhe da narrativa e do serviço mesmo – ainda que essa palavra soe séria demais. Mas, jamais deixamos de salpicar tudo com um clima relaxado, como se você realmente estivesse indo jantar na casa do amigo. De abrir a panela para sentir o aroma, clamar por um segundo prato, lamber a ponta dos dedos.

Fato é que pela Baldwin ser uma casa de verdade e uma galeria de arte, e a isso somarem-se diversos ingredientes, cada evento aconteceu como uma experiência de combinação singular. Vários estímulos, estilos, nacionalidades em pororoca na linda mesa de madeira.

Então, você está na casa de uma norte-americana com arte canadense nas paredes, uma artista sueca cantando, uma cozinheira brasileira expressando sua culinária pessoalíssima – feita para agradar o filho – e incríveis escritores da Capitolina Books lendo suas obras e o Do Rio pra Cá registrando tudo em um encontro inesquecível.

Foram inúmeras cenas de um caldeirão gostoso e quente de coisas boas, gente criativa, talentos e conversas inteligentes.

O último evento do Cooknst na Baldwin aconteceu nos dias 14 e 15 de junho contou com a top chef Luciana Berry e em um formato novo: dois dias, mesmo cardápio, e dois artistas diferentes.

O menu revisitou pratos típicos da culinária brasileira, como feijoada e frango a passarinho com o toque elegante e delicioso da chef, e até surpresinhas, como um bacalhau que não estava no cardápio.

Na sexta (14) foi a vez Aleh Ferreira (ex-Banda Black Rio) entoar clássicos da bossa nova como “Canto de Ossanha” e “Corcovado”, além de músicas próprias (“Sou do Bem”, “Pra não parar de sambar”), ao lado do tecladista George Fogel. Já no sábado, a diva Heidi Vogel esbanjou a sua intimidade com a música brasileira, acompanhada de Josué Ferreira (violão) e do músico convidado Laurie Blundell (percussão), com canções que renderam até dancinhas fofas, como “Mas que nada”.

A The Baldwin gallery certamente vai ficar na memória de quem descobriu esse oásis gastrocultural na bucólica Blackheath.

Fotos: Ju Carnelos, Oceana Masterman-Smith e Silvino.

Agora conta pra gente, qual é a sua joia rara londrina? E não deixa de passar lá na nossas páginas no Facebook,Instagram,YouTube.

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