• Do Rio pra cá

Carioca conta como é morar em Nova Iorque


Vista de Manhattan de Long Island City. ( Foto: Luciana Marques)

Me chamo Luciana. Quando decidi tentar a vida em Nova Iorque em 1996 estava em busca de um novo desafio profissional e vivencial. Algo que me motivasse. Era viúva e minha filha, então com 6 anos, poderia se adaptar facilmente. Mas, de fato, não sabia como seria morar e trabalhar em Nova Iorque.

Nasci e cresci no Rio de Janeiro e trabalhava como guia de turismo há mais de 12 anos. Os guias, em geral, são free lancers de modo que se tudo desse errado, eu pensei, voltaria para o mesmo lugar. Profissionalmente, não teria muito a perder. Minha mãe tinha o green card (visto americano) e, assim, eu aplicaria para minha cidadania e da minha filha. Enfim, eventualmente, poderíamos nos tornar também legais.

Assim sendo, arrumamos as malas e pusemos os pés no mundo, ou melhor, em Nova York! A princípio, ficamos com minha irmã que na época morava na cidade. Literalmente, invadimos um pequeno conjugado no Upper East Side, área considerada chique. Minha irmã, então recém casada, viu a família crescer de 2 pessoas para 5.

Não foram tempos fáceis. Minha filha ficava de cabeça baixa na aula porque não entendia o idioma. Ela tinha uma professora de ESL, inglês como segunda língua, matéria oferecida nas escolas para imigrantes, que era bem dura. Eu ficava com o coração na mão.

No nosso primeiro inverno, saíamos de cabelo molhado e, literalmente, congelávamos. Coisa de marinheiro de primeira viagem mesmo. Um dia, minha filha caiu do trepa-trepa no parque e, aí, aprendemos que poderíamos processar a cidade: dito e feito!

MEU PRIMEIRO EMPREGO EM NOVA IORQUE

Por do sol no Socrates Park no bairro do Queens. ( Foto: Luciana Cherques)

Fui trabalhar numa boutique que importava e vendia roupa de praia brasileira. Foi a primeira vez que usei um fax, algo que para mim parecia mágico. Eu ficava pensando: “como é que eu ponho um papel numa máquina aqui e ele sai do outro lado do mundo?” Não fiquei lá muito tempo. Moda definitivamente não era o meu mundo. Eu não entendia como pessoas pagavam mais de US$250 por um biquíni.

Fui procurar meu ex-chefe, João de Matos, dono de uma das maiores companhias de turismo para o Brasil nos Estados Unidos e um dos criadores do Brazilian Day. Havia trabalhado para a agência dele no Rio por 12 anos e fui sua primeira guia. Por sorte, ele estava precisando de uma telefonista e, assim, passei de vendedora de biquínis para uma agência de viagens. Foram 8 anos de aprendizado, como telefonista, vendedora de pacotes e, finalmente, como supervisora de departamento. Posteriormente, alcancei outros degraus profissionais e cheguei a gerente de várias agências.

Minha filha, uma aluna dedicada, teve oportunidade de cursar as melhores escolas públicas da cidade, e, posteriormente, se formar em uma universidade americana de ponta. Fez mestrado em uma universidade alemã, e, hoje, mora em Milão.

Minhas bijuterias na Union Square. ( Foto: Acervo Pessoal)

Vinte e quatro anos depois da minha chegada, de muitos desafios travados, de relacionamentos começados e terminados e em tempos de Covid -19, começo uma nova etapa. Sem trabalho formal e vivendo do seguro desemprego oferecido pelo governo, estou abrindo o meu próprio negócio. No verão, nos fins de semana, vendo joias artesanais brasileiras nas praças de Manhattan.

Não farei a “América”, como se costuma dizer, mas o que faço ajuda nas despesas e nas novas relações. Adoro conhecer gente e observar a diversidade desta cidade. Enquanto isso, monto minha operadora turística. Vai se chamar “Connect Vacation”. Acredito que as viagens proporcionam experiências que levamos por toda a vida. Essa é a minha paixão.




E, Nova Iorque? Continua sendo uma cidade complexa e paradoxal. Às vezes, acolhedora, às vezes opressora, mas sempre impressionante. Faria tudo de novo, se preciso fosse!


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