• Dani Paiva

Verão em Londres: dicas de programas ao ar livre

Essas são as pequenas "beach huts" que são comuns nas praias daqui. (Foto: Acervo Pessoal)

Nesse verão quente e pandêmico eu, que já gosto de zanzar ao ar livre, encontrei refúgio alinhado com as regras de “social distance” (distância social) por esses dias lindos em praias, parques e rolêzinhos de bike pela cidade de Londres. Compartilho aqui algumas descobertas, reflexões e renovações dos meus votos de amor pela Inglaterra ao longo dos passeios.

Começo pela praia, que brasileiro ama e sente uma falta danada. Já ouviu falar das “beach huts”, as casinhas coloridas que enfeitam as praias inglesas e custam não só o olho da cara, mas o corpinho e até a alma? Elas são uma espécie cabana de praia de madeira, do tamanho de uma garagem, e que podem ser alugadas ou compradas para servirem de base para mergulhos na água congelante.

O espaço é mínimo, sério gente! Não cabe banheiro nem cama, e cozinha, nem pensar. É para trocar de roupa e ficar ali admirando a vista da praia quando o sol deixa tudo ficar um pouco mais bonito. E, óbvio, sendo visto e desdenhado pelos transeuntes, que acham aquilo tudo muito “posh”, traduzindo, algo como esnobe demais.

Esse caixote de luxo tem três metros quadrados, dimensão obrigatória para os casulos à beira-mar. Existem cerca de 20 mil “beach huts” na costa britânica em áreas como Isle of Wight, Norfolk e Essex. A cabana da rainha situava-se em Norfolk, região onde morei há alguns anos, e pegou fogo em 2003.


O píer da cidade recebeu prêmio de melhor do ano pela National Pier Society este ano, associação nacional de píer. Se quiser saber mais, é só acessar o link acima. O píer é até bonito e está bem cuidado, mas brasileiro acaba com a impressão de que praia e píer aqui é tudo meio igual. Bom, pelo menos essa é a minha experiência até agora.

Voltando às cabaninhas, Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, pagou 60 mil libras (cerca de R$ 420 mil) por uma perto de sua casa em West Wittering. Em Mudeford Sandbank, em Dorset, que abriga 354 cabanas, o preço varia de 80 a 165 mil libras (ai, meus sais!!!!!) ou de R$ 560 mil a R$ 1 milhão e 200 mil.

Tá, e as mais baratinhas, de gente normal? Achei uma em Hampshire, Portsmouth, a duas horas de trem de Londres. Azul fofura de novo, 3 metros quadrados, sem banheiro, cama, mas com uma mesa para dois, pia, “kettle” (para esquentar água) e forninho. Custo: 15 mil libras ou R$ 105 mil. Fica para a próxima encarnação, desta vez, espero, como rainha, para que possa pagar o boleto dessa cabana sem contar moedinhas.

VERÃO EM LONDRES À BEIRA DO RIO TÂMISA

Esse é o rio Tâmisa em Ham no distrito de Richmond: passeio incrível. ( Foto: Dani Paiva)

Em outro fim de semana, estive nesse pedaço de belezura em Ham, distrito de Richmond, no sudeste de Londres. Dá uma olhada no link. Chega-se nesse ponto bucólico à beira do Tâmisa pela Ham Lands, área natural preservada com trilha para caminhada. Tem passeio de barco disponível para um rolê. Linda paisagem, perfeita para uma pausa da vida na cidade grande.

Os primeiros registros de Ham vão lá para os anos de 1150. O nome é derivado do inglês antigo, “hamm”, que significa algo como uma terra na curva do rio. Um dos marcos da área é a Ham House construída em 1610 pelo Sir Thomas Vavasour da cavalaria do Rei James VI da Escócia, que também reinou na Inglaterra e na Irlanda como James I.

Conectado com a arte e a literatura, James seguiu estimulando o desenvolvimento cultural da era elisabetana, inclusive patrocinou a companhia de teatro de William Shakespeare, que acabou sendo rebatizada como The King’s Men.

Em maio, em plena pandemia, oito motorhomes estacionaram na região e causaram um imbróglio com a vizinhança, de nomes famosos como Pete Townshed (da banda The Who) e David Attenborough (estudioso e apresentador).

As autoridades locais (‘councils’) acabaram envolvidas pela reclamação dos moradores, que não gostaram nadinha da invasão. Por conta da pandemia, os viajantes ganharam cartão verde para quarentenar por ali mais do que o permitido nos tempos do “velho normal” para desgosto da comunidade.

DOIS BILHÕES DE LIBRAS PARA INCENTIVAR O USO DA BICICLETA

Minha vitória pessoal: voltei a andar de bike.(Foto: Dani Paiva)

Recentemente, o primeiro ministro Boris Johnson da Inglaterra anunciou um pacote de 2 bilhões de libras para o que chamou de “cycling and walking revolution”, algo como revolução da caminhada e do ciclismo. O pacote inclui faixas de bicicleta, aulas para crianças e adultos aprenderem a andar na magrela e planos de reforço nas sinalizações para proteger ciclistas e pedestres. O objetivo do programa é combater a obesidade e o sedentarismo.

Em um dia calorento com a temperatura batendo 36 graus, em tempos incertos de coronavírus e com o governo recuando medidas previstas de relaxamento por conta de novos picos no interior do país, a iniciativa vem bem a calhar. Apesar do número visivelmente mais alto de pessoas optando pelo uso de motonetas e bicicletas como meio de transporte no lugar de ônibus e metrô, Londres retomou o barulho, poluição e tráfego de carros. Está busy (cheio) de novo. E, esse busy reacendeu o meu velho receio de andar sobre duas rodas. Explico.

Há alguns anos fui atropelada por um ciclista em plena São Paulo pró-bike. Também, não cresci desbravando a minha cidade na magrela. Não criei o hábito quando pequena e ganhei esse trauma mais velha. Além disso, passei por situações chatas em tentativas ao lado de pessoas próximas que perderam a paciência e o saco por conta dos meus mini chiliques. Sou daquelas que anda de bike que nem cobra, tremendo, sem equilíbrio e quando fico nervosa e me sinto pressionada, piora tudo.

Em plena era Covid-19 de mobilidade restrita, resolvi enfrentar sozinha meus traumas para ver no que dava. As ruas estavam vazias, silenciosas e propícias ao mico sob duas rodas. Gostei! Me senti segura comigo mesma, livre para percorrer um trajeto de 20 minutos em duas horas e genuinamente apreciando a bike e a minha companhia. Foi uma vitória pessoal nesse momento louco da vida. Que esse pacote para a busy Londres também dê um pouco de paz para outras "Danielas" se enveredarem nessa sem sofrência.

Ainda tem muito do verão pela frente. Fico por aqui de olho em mais dicas de Londres.


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