• Guiga Soares

Visita ao Maracanã, programa imperdível no Rio de Janeiro

Atualizado: 22 de Dez de 2019


Maracanã, vista geral ( Foto: Pixabay)

Visita ao Maracanã é um daqueles programas que não podem faltar na agenda de turistas internacionais ou nacionais e, muito menos, de cariocas. Acredito que muita gente ainda não saiba que o ingresso tour Maracanã pode ser comprado on line e com tranquilidade. É tudo muito fácil.



Vestiário no Maracanã (Foto: divulgação Riotur)

O passeio, que inclui também a visita aos vestiários, dura em média 40 minutos e é acompanhado por guias bilíngues que sabem tudo sobre o estádio, palco de duas finais de Copa do Mundo de Futebol, em 1950 e 2014. O visitante, também, vai chegar bem pertinho do campo que recebeu tantas festas, shows, e, é claro, partidas de futebol inesquecíveis.


Maracanã antes de uma partida de futebol (Foto: Guiga Soares)

Acho que aqui cabem alguns detalhes que vão você ficar com mais vontade de fazer essa visita. O bairro Maracanã na zona norte da cidade, de mesmo nome do estádio, fica a apenas 7 km do Centro e a 17 km do aeroporto internacional Tom Jobim. Sua localização é bem central.


O trajeto é simples e funcional. Se a opção for táxi ou carro de aplicativo, o visitante pode desembarcar em frente ao portão A, que fica diante da passarela da estação do Metrô e da Supervia (trens) e ao lado do campus da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Esse mesmo portão serve para quem utilizar o transporte público, aliás, o recomendado. Ou seja, visita ao Maracanã não é nada complicado na vida de um turista.


VISITA AO MARACANÃ É CONHECER SUA HISTÓRIA E A DA CIDADE

O estádio foi inaugurado em 1950 para a final da Copa do Mundo, quando podia receber 155 mil pessoas: um feito para a época. Hoje, depois da reforma para a Copa do Mundo de 2014 pode abrigar até 78 mil pessoas.


A final entre Brasil X Uruguai em 1950 ficou marcada na vida do estádio e do país. O time brasileiro perdeu de 2 x 1 e silenciou a torcida canarinho. A noite ficou conhecida como Maracanazo. Essa tristeza imensa só se transformou em 1958 com a vitória na Suécia, quando a seleção brasileira venceu enfim a sua primeira Copa do Mundo de Futebol. O estádio faz parte definitivamente da história do Rio e do Brasil. Através dele, é possível contar inúmeras situações pelas quais a sociedade brasileira passou.


Maracanã em 1950 ( Foto: Acervo O Globo)

Das muitas vezes em que trabalhei por lá, ouvi relatos emocionantes de quem pisava no local pela primeira vez. Todos ficavam (e, ficam) maravilhados. Essa vista guiada ao Maracanã leva o visitante para esses instantes mágicos e únicos que lá aconteceram. Só para lembrar mais um. Foi no seu gramado que Pelé fez o milésimo gol da sua carreira há 50 anos, em 19 de novembro de 1969, num jogo em que seu time, o Santos, venceu o Vasco da Gama por 2 x 1.


O nome oficial do estádio é em homenagem ao jornalista pernambucano e fundador do extinto Jornal dos Sports Mário Filho, irmão do dramaturgo e escritor Nelson Rodrigues. Ele foi considerado um dos idealizadores dessa empreitada. Já a palavra do tupi-guarani Maracanã vem do rio que cruza a região. Significa “parecido a um chocalho”, provavelmente, uma alusão a um tipo de pássaro, parecido a um papagaio, chamado “maracanã-guaçu” que vivia em bando na área.


SHOWS INESQUECÍVEIS


Além das partidas e dos eventos esportivos, a visita ao Maracanã vai trazer à memória de muitos e explicar para muitos outros a importância do local para grandes acontecimentos na cidade e no país que não tiveram nada a ver com esporte. Em janeiro de 1980, por exemplo, ficou lotado com 150 mil pessoas para o show do cantor americano Frank Sinatra. O show foi transmitido ao vivo para a América Latina pela Rede Globo, exceto para a Colômbia.


Não fui a todos os shows, mas compareci a muitos. Fui aos shows do Sting (1987), Tina Turner (1988), Rock in Rio (1991), Madonna (1993 e 2008), The Police (2007), Coldplay (2016). Enfim, foram muitos. Esse show de 1998 da diva Tina Turner (que em 2019 completa 80 anos) foi outro grande momento do Maracanã. Ela entrou no palco anunciada pelo cantor Neguinho da Beija- Flor ao som da bateria da escola e carregada em um carro alegórico. Tudo obra do mestre de Carnaval Joãozinho Trinta.


Não fui a um deles que fez história no mundo. Em 1990, o ex-Beatle Paul McCartney entrou para o Book of Records. Seu show-solo recebeu mais 180 mil fãs no estádio. O recorde anterior era da própria Tina Turner que levou quase a mesma quantidade de fãs.


Paul McCartney em show histórico do Guiness Book of Records em 1990 no Maracanã (Foto: Acervo O Globo)

Outro grande marco da trajetória do estádio na vida do Rio de Janeiro foram as missas campais rezadas pelo Papa João Paulo II em 1980 e 1997.


MINHA VIDA DENTRO DO MARACANÃ DESDE CRIANÇA


Eu tenho muitas histórias para contar sobre esse gigante. Vou ao estádio desde os cinco anos de idade. Meu pai e meus tios, fãs do futebol, me levavam. Eu era a neta mais velha de uma família com oito filhos. Portanto, mesmo sendo menina, me carregavam para o estádio aos domingos. Isso não era muito comum na época. Hoje, já não é mais assim, ainda bem.


Minha avó morava em São Cristóvão, bairro vizinho, o que facilitava o trajeto. Os almoços eram na casa dela e significavam o “esquenta” para as tardes de bola rolando no gramado. Tempos depois, com o nascimento do meu irmão, passei a ter mais uma companhia.


Naquela fase da minha vida, o Maracanã ainda tinha o formato original do seu projeto arquitetônico. Tinha arquibancadas de concreto, cadeiras de metal e um espaço chamado de “geral”, o anel mais perto do campo onde os torcedores ficavam de pé durante as partidas.

Presenciei grandes jogos debaixo de sol e de chuva também.


Minha mãe ficava preocupada. E, acho que não era só ela. Li esse texto de um livro a seguir e acho que ela era como muitas outras mães. “Maracanã. Era lá que papai disse que ia me levar.......Eu queria imaginar o tamanho do tal Maracanã. Era tão difícil fazer essa imaginação....Antes de dormir, eu me escondi atrás da porta do quarto do meu pai e ouvi a minha mãe perguntando se não era perigoso eu ir ao Maracanã...” (O gigante do Maracanã, César Cardoso, ed. Biruta, 2017)


Afinal, meu pai e duas crianças pequenas em meio à torcida é mais do que um motivo de preocupação. Mas, nunca passamos por nenhum problema. Pelo contrário, sempre fomos protegidos por aqueles que amam o esporte e o Maracanã. Assisti vitórias e derrotas. E, assim, aprendi a amar o futebol, o estádio e o meu time de coração, o Flamengo.


Zico fez 333 gols no Maracanã e é o maior goleador do estádio ( Foto: Divulgação Flamengo)

PARTICIPANDO DOS GRANDES EVENTOS DO CICLO OLÍMPICO


Essa minha convivência com o espaço do estádio se tornou mais próxima e efetiva quando participei de grandes eventos realizados na cidade, por exemplo, da Copa do Mundo em 2014, dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 e os Jogos Pan-Americanos em 2007. Nos dois primeiros eventos, fui responsável por áreas dentro do Maracanã. Foram dias de muito trabalho, de responsabilidade incessante e de grande preocupação para que tudo desse certo.


Eu, Guiga Soares, no gramado do Maracanã ( Foto: Acervo pessoal)

Lembro do dia do primeiro jogo no Maracanã durante a Copa do Mundo em 2014, Argentina e Bósnia: los hermanos ganharam de 2 x 1. Logo depois que a bola rolou, encostei num canto bem escondidinho e chorei. A emoção era só minha. Só eu poderia estar passando por aquele sentimento naquele momento e daquela forma. Foram muitos anos indo ao estádio. E, naquele instante, estava ali fazendo parte da equipe que estava gerindo um evento como a Copa do Mundo de Futebol.



Eu, de novo, Guiga Soares no dia da abertura do Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Acervo pessoal)

Em 2016, meu grupo foi responsável pelo trabalho de integração entre a equipe que realizou as 4 cerimônias e as forças públicas nacionais e internacionais. Trabalho árduo. No entanto, mais uma vez aquela emoção surgiu quando as luzes do Maracanã se apagaram, o que dava início ao evento de abertura das Olimpíadas no Rio. Foi mágico! Fiquei um pouquinho sozinha. Tirei os fones de ouvido do rádio de transmissão. As lágrimas escorreram pelo rosto novamente.


Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 no Maracanã: show de luzes e de criatividade (Foto: Pixabay)

Rapidamente, me recompus. Voltei ao trabalho. A festa precisava continuar. Mais de 60 mil pessoas estavam ali para assistir a abertura dos primeiros jogos olímpicos realizados na América Latina. Escrevendo sobre essa visita guiada ao Maracanã essa emoção volta com força. Grandes memórias!



Eu estava no Maracanã: primeira medalha de ouro olímpica no futebol masculino (Foto: O Globo)


Em 2007, participei da primeira experiência ligada aos esportes olímpicos. Não só na abertura e no encerramento dos Jogos Pan-Americanos, como também, nos jogos de vôlei no Maracanãzinho (ginásio esportivo para 8 mil pessoas que fica dentro do chamado complexo Maracanã). Como sempre, emoção à flor da pele. Como sempre participando de momentos importantes do Maracanã e do Rio. Que alegria. Que benção. Como diz o nosso rei Roberto Carlos; “ se chorei ou se sofri, o importante é que emoções eu vivi”. Aliás, ele comemorou seus 50 anos de carreira no Maracanã em 2009.



Cristo Redentor de braços abertos sobre o Maracanã no dia do ensaio da abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Gente, volto a dizer, o passeio vale a pena, de verdade. Se você chegou até aqui no texto, sabe que sou suspeita para falar. Passei por grandes momentos dentro do estádio. Mas, de fato essa visita ao Maracanã precisa estar na sua agenda. Se organiza, faz a visita e depois conta pra gente qual foi a sua impressão. Estamos no Facebook e no Instagram. Queremos saber a sua impressão.

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