• Do Rio pra cá

Cazaquistão, uma história de amor...

Atualizado: 11 de Out de 2019


Bom, pra começar a contar minha história com esse país, vamos resumir um pouco da história do país: A República do Cazaquistão, está localizada na Ásia Central e com uma pequena parte a oeste na Europa, o que eles costumam chamar aqui de Eurásia.

Em 1991 o Cazaquistão declarou independência, sendo a última república a se tornar independente após a dissolução da União Soviética, e temos o mesmo líder político desde então. A primeira capital foi Almaty, a cidade onde eu moro. Devido aos constantes terremotos em Almaty, em 1997 decidiram transferir a capital para a pequena vila de Akmola, e transformaram Akmola em Astana, uma cidade planejada, assim como Brasília, no Brasil. Astana (se pronuncia Astaná e siginifca ‘a capital’ na língua cazaque) hoje é a cidade mais moderna do país, com muitos edifícios e monumentos futurísticos e dizem por aqui que a meta é transformar Astana na nova Dubai.

No fim de 2013, eu estava no elenco de uma novela das 21 h, quando pela primeira vez ouvi falar sobre esse país através do meu marido, que na época era meu namorado. Ele me ligou dizendo que recebeu uma proposta de trabalho para ser fisioterapeuta desportivo no Cazaquistão.

A primeira coisa que pensei foi: “meu Deus! onde fica isso?” Eu sempre soube que o sonho dele era trabalhar fora do Brasil para obter experiência de vida e uma bela bagagem profissional, e apesar das inúmeras dúvidas sobre o nosso relacionamento que me rondavam, eu o apoiei desde o início. Mas dias antes do embarque, ele resolveu oficializar nosso namoro e ficamos noivos. Enquanto ele trabalhava lá, eu ficava no Brasil fazendo planos e organizando as coisas para o casamento. Minha família sempre me apoiou em tudo que eu decidi fazer, pois sempre levei as coisas muito a sério e trabalhava duro para alcançar meus objetivos. Mas a maioria das pessoas diziam que eu era louca, que o Cazaquistão era país de “homem-bomba”, que eu não tinha que parar a minha vida por homem nenhum, que eu tinha acabado de entrar na Rede Globo e blá blá blá...

Eu só respirava fundo e tentava explicar como as coisas funcionavam por aqui, pois eu não me mudaria para qualquer lugar se não tivesse o mínimo de informação sobre o mesmo e nem iria parar a minha vida, apenas dar um rumo diferente pra ela. Passamos 4 meses longe um do outro, ele voltou de férias para o Brasil, nos casamos e em setembro de 2014 estávamos juntos no Cazaquistão.

Eu me encantei pelo país de imediato. Primeira vez fora do Brasil, cidade limpa, bonita e com muitos monumentos, recém casada, cheia de ânimo e curiosidade, logo dei um jeito de começar a estudar a língua russa. A língua oficial aqui é o cazaque, mas o que predomina é o russo. Mesmo entendendo um pouco de russo, é muito difícil entender uma pessoa falando russo com o sotaque cazaque, mas isso é na região de Almaty, sul do Cazaquistão. No norte do país, eles quase não falam na língua cazaque e até os nortistas tem uma certa dificuldade em entender um sulista falando em russo.

Para a minha sorte, uma boa parte da população jovem fala inglês e se esforça para te entender, ao contrário dos mais velhos, conservadores, que não têm paciência em ficar repetindo o que você não entendeu. Às vezes, começam a gritar ou simplesmente desistem de te ajudar e te deixam falando sozinho. Tenho algumas amigas nativas que falam inglês e já não passo mais por esse tipo de situação com frequência.

O Cazaquistão é um país seguro, a polícia não anda armada e não andamos com aquele medo de sermos assaltados a qualquer momento. As ruas são desertas e algumas não têm uma iluminação muito boa, além de qualquer carro na rua poder funcionar como táxi. Estendemos a mão para qualquer carro parar, você diz pra onde vai, negocia o valor e pronto! Se o motorista estiver indo para esse mesmo lugar ou simplesmente for passar por lá, ok. Se não for interessante para ele ou tiver que mudar a rota, eles negam e arrancam com carro ou só arrancam com o carro mesmo, te deixando falando sozinho novamente! rs

O Cazaquistão é predominantemente muçulmano, mas é o considerado o país muçulmano com mais liberdade religiosa. Por isso, a maioria das pessoas aqui são muçulmanas, mas não andam com a cabeça coberta (apesar de seguir alguns outros costumes, como não comer carne de porco e alguns homens decidem ter mais que uma esposa).

A galera por aqui não está habituada a lidar com estrangeiro, não são gentis, nem muito simpáticos, muito menos com a mulherada. Claro que sempre há as exceções, principalmente quando digo que sou brasileira, alguns ficam super simpáticos, sorriem, cantam “Ai se eu te pego”, começam a falar sobre o Rio de Janeiro, carnaval e a listar toda a escalação da seleção brasileira dos velhos tempos: Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Zico, Pelé, Neymar e até mesmo o Messi... Sempre acham que nossa capital é Bueno Aires e que falamos espanhol.

O que mais me incomoda aqui é a medicina. Eles tem umas crenças estranhas e aos fins de semana, se não for um trauma, nenhum hospital te atende, ou seja, você só pode passar mal nos dias de semana e se isso acontecer, seja por qualquer motivo, você é obrigado a ficar 5 dias de observação. O filho de uma amiga brasileira aqui estava com tosse e um pouco febril, na consulta a pediatra receitou um xarope e 3 dias sem banho, o que é muito comum pra eles aqui, já que crianças até completarem 1 ano tomam banho dia sim e dia não. Ah! E jamais dê presente para o bebê de mulher grávida, é uma super gafe, que claro, eu cometi e acho que ela nunca usou o sapatinho na criança.

Mas não se assustem galera, aqui tem muita coisa boa também, uma galera boa, do bem, abraço e beijo minhas amigas nativas sem nenhum problema e elas se divertem comigo.

Quem não gosta do nosso jeitinho brasileiro né?

#Cazaquistão #MylieAndrade #Dicas #Convidados

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