• Guiga Soares

4 fortes e a história do Rio de Janeiro

Atualizado: Fev 1


A história do Rio e do país de alguma forma está ligada a esses 4 fortes (Foto: Guiga Soares)

Na agenda turística de quem vem ao Rio de Janeiro não pode faltar a visita aos 4 fortes militares à beira mar. Todos oferecem uma espetacular vista das praias e do contorno natural da cidade. Faz parte também dessa lista um forte fica em outro município, Niterói, do outro lado da baía de Guanabara, mas que está intimamente ligado à vida e ao desenvolvimento do Rio. É uma oportunidade de atravessar a baía e conhecer outro município da região metropolitana.


Começo com um rápido texto sobre a importância geral desse esquema de fortificação. E, ao longo das próximas semanas, vou falando um pouquinho de cada um: história, participação em eventos específicos da defesa da cidade e suas atrações turísticas. Abaixo, estão eles:

Difícil entender o Rio e o próprio país sem passar pela existência desses 4 fortes e as muitas batalhas e eventos dos quais participaram seus soldados.


Construídos em épocas diferentes para defender a cidade de invasores e piratas, todos estão sob a administração do Exército brasileiro e têm programas de visitação guiada ou não aberta ao público. Cada espaço tem suas regras, dias da semana e horários específicos de visita.


Vale ressaltar que esses fortes foram ganhando mais e mais importância com o passar dos anos. O motivo não foi apenas a defesa da cidade. A importância dessa necessidade de proteção foi também porque o Rio de Janeiro passou a ser capital do Reino Português com a chegada da família real em 1808, capital do Império brasileiro depois da independência e capital da república brasileira até 1960.


Outro detalhe curioso que acredito seja importante dizer. A cidade ainda tem o Forte Tamandaré da Lage, ou simplesmente, Forte da Lage, um amontoado rochoso que fica bem no meio da baía de Guanabara – serviu à defesa e de cela em vários momentos da história do país. E, também a Fortaleza da Conceição que fica no bairro da Saúde, mais perto do centro da cidade.


QUANDO O RIO DE JANEIRO FOI FRANCÊS

Por alguns anos no século 16, os franceses estiveram por aqui. Na foto, enseada da Urca. ( Foto: Pixabay)

A gente aprende desde cedo na escola que a esquadra portuguesa de Pedro Álvares Cabral enxergou primeiro as terras brasileiras numa região que hoje pertence ao estado da Bahia. Foi lá no Monte Pascoal, perto de Porto Seguro, que a nossa história como país começou no dia 22 de abril de 1500.


No entanto, houve tempos em que exploradores franceses também estiveram interessados em nossas terras. Desejavam ter um posto nessa região do mundo, a França Antártica. E, chegaram à região de Cabo Frio em 1555 liderados por Nicolas Durand de Villegagnon.


Logo depois, vieram para a área do que atualmente é a cidade do Rio de Janeiro. A ideia era fundar um estabelecimento colonial em nome da Coroa Francesa de onde seria montada uma tentativa de controle do comércio para as Índias.


Eu sempre adorei as aulas de História. E, ficava imaginando como seria o nosso Rio no século 16. Bem, os franceses por aqui ficaram de 1555 até 1567. O período entre esses anos, foi uma fase de muitas batalhas pela conquista total da região e enfrentando muitos desafios. Em meio a essas disputas, em 1º de março de 1565 a vila de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada pelo português Estácio de Sá, finalmente entregando a região à Coroa de Portugal. Não foram poucos os problemas e os desafios dessa retomada, muito pelo contrário.


Foram tempos difíceis de combates entres portugueses, franceses e seus aliados e tribos indígenas que aqui viviam. “Os primeiros tempos de São Sebastião do Rio de Janeiro ilustram os obstáculos que os portugueses devem enfrentar para impor sua presença na região. O lugar é exíguo, desprovido de água doce e, sobretudo, exposto a ataques de índios. Por várias vezes, em 1566, flotilhas que reúnem centenas de canoas tentam surpreendê-los e lhes causam perdas importantes. A colônia vai vivendo como pode, enquanto espera socorro. (A História do Rio de Janeiro, Amelle Enders)”


O grupo francês foi expulso depois de uma campanha portuguesa que começou em 1560 e que terminou em 1567 numa sangrenta batalha. O comandante vitorioso dessa empreitada, Estácio de Sá, sobrinho do governador-geral Mem de Sá, acabou dando nome a um bairro tradicional do Rio e a uma escola de samba.


“Durante a batalha de Uruçu-Mirim, Estácio de Sá tem a mesma sorte de São Sebastião e é mortalmente ferido no rosto por uma flecha. Alguns dias depois, Mem de Sá expulsa os franceses e os tamoios da grande ilha de Maracajás. (A História do Rio de Janeiro, Amelle Enders)” . Um detalhe: a ilha de Maracajás hoje é o bairro da Ilha do Governador onde está o Aeroporto Internacional Tom Jobim.

O PADROEIRO SÃO SEBASTIÃO, UMA BATALHA E A FUNDAÇÃO DA CIDADE

São Sebastião, padroeiro da batalha de vitória sobre os franceses e da cidade ( Foto: G1)

Aliás, vem dessa derradeira batalha, a explicação do porquê São Sebastião é o padroeiro da cidade. Conta a história que no dia 20 de janeiro de 1565, o comandante português Estácio de Sá reuniu o seu conselho de guerra para montar a estratégia do ataque. Ele era devoto do santo considerado um exemplo de coragem e abnegação pela Igreja Católica e que também era padroeiro do rei de Portugal, D. Sebastião.


Até hoje, a data de 20 de janeiro é consagrada ao militar que resistiu ao Império Romano em favor e em defesa dos cristãos. Além disso, é feriado na cidade. A fundação da cidade foi no mesmo ano de 1565 no dia 1º de março numa pequena praia entre o morro Cara de Cão e o morro do Pão de Açúcar. O local, hoje, pertence à Fortaleza de São João ou Forte da Urca.


Como já disse, nas próximas semanas, volto ao tema "4 fortes e a história do Rio de Janeiro". Segue o nosso time pelo Facebook ou pelo Instagram.


Temos sempre muita coisa para contar, dicas pra dar e compartilhar com você. Ah, já esteve em alguns dos fortes citados no meu texto? Conta pra gente!

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