• Úrsula Corona

Morar em Portugal e a Covid-19 que mudou os nossos dias

Atualizado: Abr 10


Aqui, como Taís na novela "Sol de Inverno", da emissora portuguesa SIC, minha primeira vilã.

Não imaginava morar em Portugal quando trabalhava no Brasil como atriz e apresentadora. Tudo foi acontecendo sem muita programação. Afinal de contas, o teatro e a televisão entraram na minha vida como profissão para enfrentar um questão da infância.


Comecei a frequentar as aulas de teatro para trabalhar minha timidez ainda criança. Ia às aulas depois da escola. Mas, como mágica, minha vida foi se transformando por causa do teatro. Lembro, por exemplo, até hoje da primeira aula no Clube Municipal em Niterói, na região metropolitana do Rio, onde nasci. Fui me encantando cada vez mais com as aulas. Acho que também o fato de minha mãe ser bailarina ajudou muito. O mundo da arte estava dentro da minha casa.


Lembro do meu primeiro teste de elenco na TV Globo. Eram mais de 500 crianças. O diretor era o Augusto César Vannucci. A produção procurava uma menina que cantasse e dançasse. Passei no teste. E, aos oito anos de idade participei do meu primeiro trabalho na televisão no programa “A Nave Mágica”. E, assim, minha carreira como atriz começou. Fico muito feliz em poder relembrar essa fase. Foi um belo começo.


MINHA CARREIRA INTERNACIONAL

Aqui, lançamento da novela "Ouro Verde" onde fui Valéria.

De lá pra cá, participei de muitas novelas e séries na mesma TV Globo e na TV Bandeirantes, todas no Brasil. Em 2011, montei uma exposição na Holanda sobre o filósofo Spinoza e a música. Era algo fora da caixinha. Saí, como se diz, da minha zona de conforto. Mas, foi fundamental para me redescobrir. Foi quando percebi a coragem para me reinventar fora do mercado brasileiro.


Mais ou menos na mesma época, a nova versão da novela “O Astro” da TV Globo, onde eu interpretava o papel de Elizabeth, estreou em Portugal. No mesmo ano, eu estava no ar no Brasil em outra novela, “Viver a Vida”, de Manoel Carlos, como a Ivete. Acabei sendo convidada em 2013 para participar da minha primeira novela portuguesa no canal SIC, “Sol de Inverno”, como a vilã Taís.


Nesses 7 anos, já estive nos elencos de outras produções portuguesas, como “Ouro Verde”, por exemplo, da SIC. Atualmente, estou no ar em Portugal com a novela “Corda Bamba” escrita por Rui Vilhena como outra vilã, Letícia.


COMO A ONU ENTROU NA MINHA VIDA


Outra história interessante da minha vida, como ir “morar em Portugal”, foi uma ligação inesperada. Fui convidada, em 2019, pelo brasileiro Rodrigo Mota, que trabalha no World Food Programme – WFP (Programa Mundial de Alimentos), para atuar como parceira. Esse programa está presente em 30 países. Trabalha na sensibilização do combate à fome, na arrecadação de recursos e no estímulo aos mutirões.


Esse desafio tinha tudo a ver com um dos projetos sociais que apoio há 16 anos no Brasil. É o da merenda orgânica que funciona numa fazenda de Jaguaripe na Bahia, cidade da zona rural que fica a 284 KM de Salvador. É pequena: tem menos de 19 mil habitantes. E, precisa de muita ajuda.


Os alimentos que servem de merenda são plantados e cuidados por alunos e funcionários da escola local em uma área cedida dentro de uma fazenda. É um desafio diário. Não temos patrocínio, mas vamos dando um passo de cada vez. Queremos levar acesso à internet e montar uma quadra de esportes na escola. Queremos fazer muito mais. E, servir de exemplo para outras escolas e cidades brasileiras.


O COVID-19 E UM RECADO PARA O BRASIL


A linda Praça do Comércio em Lisboa à margens do Rio Tejo: amo esse país.

“Como podem tantos não quererem enxergar e entender os fatos que se repetem em diversos países? Como não acreditar que essa já é a nossa realidade também? Brasil, meu país amado, você não é filho único imune ao Coronavírus.


A realidade que estou vivenciando aqui em Portugal, para onde vim em 2011, é muito dura. Tempos difíceis. Muitos médicos e profissionais da área da saúde infectados, outros de quarentena, no mercado, prateleiras vazias. Um caos. Um cenário que nos dá medo e atenção. A consciência só chegou agora.


Muitos países acordaram tarde, e não gostaria que o meu país fizesse o mesmo caminho. Inúmeros governos ignoraram a gravidade do vírus, e hoje, diversas entrevistas e declarações oficiais admitem não conseguir ter controle.


Por favor, se unam, se informem, se isolem, cobrem apoio do governo e vamos reagir. Minhas palavras não são para assustar ninguém, mas para alertar a quem quiser fazer a diferença. A melhor contribuição para cada um de nós e principalmente para si próprio é perceber que precisamos parar e isolar-nos . Não estamos em tempos de brincadeira”. (Entrevista à Veja Rio, março 2020).


SAUDADE DE CASA E DA FAMÍLIA, MAS AMANDO PORTUGAL


Com o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa na comemoração dos 25 anos da Fundação Luso-Brasileira em 2017.

Aos poucos, minha vida foi me segurando mais por aqui. Amo Portugal. Amo Lisboa. Fiz queridos amigos. Trabalho e me divirto. Mas, tenho muita saudade da minha família: minha força maior. Meu pai é um exemplo de gentileza. Minha mãe é uma força da natureza. E, minha avó, que vive em Recife, é aos 93 anos, a matriarca mais linda que existe. Essa raiz pernambucana é forte. Carrego o Nordeste comigo. Quando vou ao Brasil, preciso sempre dar um jeitinho de visitar todos eles. É uma grande correria, mas vale a pena.


Aqui, em Portugal, aprendi a amar e a conhecer os vinhos. Aliás, esse vai ser o tema de um dos meus próximos posts.

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