• Dani Paiva

Um belo verão frio em Kent na costa da Inglaterra


Depois de um verão de pouco sol e muito trabalho, resolvi me dar de presente uma viagem rápida de apenas dois dias para perto do mar. Queria sol, mar, silêncio, experiência e um cardápio com muitas ostras, uma das comidas que explode a minha boca em felicidade. Vejam nas minhas fotos como foi esse belo verão frio em Kent na costa da Inglaterra.


Bom, em se tratando do verão mais molhado e frio dos últimos 10 anos, não dava para esperar muito. Esse verão veio embalado em frase para postagem nos ‘Stories’ dos brasileiros: verão inglês é verão de “heatwave”, frase seguida de foto de um céu bem cinza, uma chuvinha chata, uma coisa meio desbotada. Tivemos duas ou três dessas “heatwave”, que são as ondas de calor. E só. De resto, foi um aguaceiro sem dó.


Quando marquei dois dias de visita pelos arredores de Whitstable e Seasalter, na região de Canterbury, em Kent, a cerca de 60 km distante de Londres, esperava um tempinho mais ou menos, apesar da previsão de sol e alegria na época da reserva.


A data ia chegando e nada do verão. Melhor o cheiro e o barulho do mar do que nem isso. Afinal, moro no centro de Londres, rodeada de tijolo, concreto e sons da metrópole. Depois de um lockdown na selva de pedra qualquer proximidade com a natureza é um alívio.


Outro detalhe importante: a reserva era praticamente um bilhete de loteria. Consegui uma vaga para almoço no The Sportsman, restaurante que mantém uma estrela do Guia Michelin desde 2008, em um combo que incluía uma noite na cabana do próprio restaurante.

Até o final do ano, o restaurante The Sportsman está com lotação esgotada de quinta a domingo. Ele fecha somente às segundas-feiras. Minha reserva era para uma quarta-feira. Fica localizado no meio de duas cidades em uma espécie de vilarejo chamado Seasalter entre Faversham e Whitstable.


Um detalhe: não tinha a menor ideia do que seria a tal da cabana. Se você tentar fuçar o site do restaurante, não vai encontrar muito mais do que a foto de cabanas do tipo “beach hut” . Já falei delas aqui. Invariavelmente, imagina-se que é esse local simpático, mas apertado e de madeira, que lhe servirá de dormitório. Oxalá, se tivesse banheiro dentro! Seria apenas uma noite, então, valeria o sacrifício.


AS CABANAS DO RESTAURANTE SÃO O MELHOR SEGREDO

São 6 cabanas coloridas nos fundos do restaurante The Sportsman e de cores diferentes: preta, amarela, azul, verde, vermelha e laranja. Para chegar em uma delas, é preciso passar por um caminho aberto em meio a um cenário campestre rústico natural com mato e flores altas que dão privacidade aos visitantes.


As cabanas são distantes uma das outras e a praia fica a alguns metros, nem dá para ouvir o barulho do mar. Ali reina a paz com os passarinhos cantando, a natureza respeitada e uma calma que penetra a alma.

Cada uma das cabines estampa a arte de um artista diferente. Fiquei na azul, Blue Cabin, decorada com o trabalho da artista Kimmy McHarrie, que faz mosaicos de vidro. Há uma tabela de preços na parede indicando o que é possível incluir na mala.


Na mesa embaixo da televisão na sala, me deparei com uma cartinha simpática de boas-vindas, ao lado de um caderno com mensagens de agradecimento e comentários positivos e afetuosos, além de um kit com linhas coloridas para costura. Uma graça!


Espaçosa, a cabina é uma casa completa, com quarto amplo, sala, hall com cozinha e banheiro. A estrutura e a decoração primam pelos detalhes, pelo colorido alegre e elegante.


A cozinha é muito bem equipada com louças e utensílios bonitinhos, inclusive para quem quiser explorar as possibilidades criativas nas panelas com os produtos locais. Os ingredientes deixados na geladeira e no armário para o café da manhã são de ótima qualidade, tais como, ovos, manteiga, um pão dos deuses, suco, leite, café, geleia, mel.


O clima é colonial e aconchegante. O rádio conecta no celular, o chuveiro é excelente, tem roupão macio, fogão elétrico e a cama. Aí, gente, depois de mais de um ano desprovido do prazer de dormir em uma cama de hotel, meu Deus, foi o melhor sono da vida.


Perfeito para tempos de “staycation”, quando você viaja dentro do próprio país, principalmente nessa era de Covid-19, pois os pontos de contato com outras pessoas são limitadíssimos. Um segredinho que vale a pena revelar só para os mais amados para não lotar ainda mais a agenda concorrida.

Na próxima semana, volto pra contar pra vocês sobre o maravilhoso restaurante The Sportsman e seu cardápio estrelado.


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