• Guiga Soares

As festas juninas de 2020 sumiram


Adoro essas bandeirinhas, essas cores da decoração de uma festa junina ( Foto: Pixabay)

Eu adoro festas juninas. Mas, este ano, me parece que serão raras ou, melhor, nem vão acontecer. Aglomerações oficiais ainda não estão permitidas. Pelo menos, é o que tenho percebido até agora. Tudo por causa da pandemia do novo coronavírus que insiste em ficar por aqui.


O dia de Santo Antônio, 13, o primeiro dos santos de junho a ser celebrado, já passou. Não vi festa alguma, a não ser aquelas ligadas aos enamorados. Já contei por aqui a razão da existência do dia dos Namorados no Brasil. O link é esse aí ao lado mesmo. Vale a pena conhecer o motivo da criação da data em junho. Em todo o mundo a festa dos namorados é em fevereiro, dia de São Valentin.


A tradicional festa junina de Caruaru, conhecida como a “capital do forró”, no agreste pernambucano foi cancelada pela prefeitura local. Não houve santo junino que conseguisse patrocínio em meio a essa pandemia. Resultado: frustração a começar pelos os festeiros.


No ano passado, passaram por Caruaru cerca de 3 milhões de pessoas durante os 30 dias de festa que chegaram de várias partes do país. Você não leu errado. É isso mesmo. As festas começam no fim de maio e vão até o fim de junho.


O fato de este ano não acontecer a festa significa um baque nos cofres municipais. Em 2019, foram arrecadados 200 milhões de reais. Todo esse movimento gerou 6 mil empregos diretos e 12 mil indiretos. Ou seja, o tombo é grande mesmo! Mas, acho que essa gente toda deve ser como eu: adora festa junina. O que mais dói é que não há festa junina.


COMO AS FESTAS JUNINAS SURGIRAM NO BRASIL DO JEITO QUE CONHECEMOS

As comidinhas das festas juninas são todas ótimas. O milho é base de muitas delas. ( Foto: Pixabay)

Festas juninas, claro, têm esse nome porque acontecem no mês de junho. Celebram, além de Santo Antônio, São João no dia 24 e São Pedro no dia 29. Chegaram até aqui no período colonial trazidas pelos portugueses que, por sua vez, as transformaram de comemorações católicas em homenagem aos santos populares citados acima.


A origem dessas festas, segundo contam os pesquisadores, vem da celebração pagã do solstício do verão, que no hemisfério norte acontece entre os dias 21 e 22 de junho. É o verão chegando por lá.


Esse tipo de ritual pagão de celtas, nórdicos, hebreus, entre outros povos, era para pedir fartura nas colheitas e fertilidade das terras. Os moradores dessas regiões agrícolas se reuniam para pedir essa “graça” e festejavam a chegada do verão com seus dias de sol e de muita luz.


No Brasil, as festas juninas são multiculturais e refletem uma fase do país na qual a maior parte da população vivia no campo. Essa característica caipira aparece até hoje nas configurações e na organização típicas das festas rurais, mesmo que sejam realizadas em espaços urbanos.


Dessa origem rural é que vem o nome “arraial”, grande espaço de reunião ligado a um determinado povoado. Como a maioria das pessoas vivia em suas propriedades rurais, se encontravam num arraial, em geral, perto da igreja, para celebrar eventos, casamentos, batizados e os santos do mês de junho.


FESTAS JUNINAS NA MINHA VIDA

Quando era criança, adorava a fase de escolher a fantasia de caipira com laços e fitas ( Foto: Pixabay)

Sempre curti festas juninas. Até hoje gosto das comidinhas. Nesse link, tem algumas receitas típicas dessa época do ano. Quando era criança e adolescente também, ficava esperando essa época do ano. Ficava imaginando como seria minha roupa. Com rendas? Com laços? Ah, seria com um tecido de xadrez vermelho? Amarelo? Enfim, viajava mesmo. E, como eram minhas tias que fariam a minha “fantasia” de caipira, eu poderia escolher mesmo.


Ainda tinha a quadrilha. Os ensaios duravam meses. Em geral, começavam depois do Carnaval e se estendiam até às vésperas dos eventos juninos. A turma levava a sério. Cheguei a competir em festas juninas de clubes do subúrbio do Rio, do Pavilhão de São Cristóvão (zona norte da cidade) e, até, em algumas cidades da região metropolitana. Era show!

Fiz essa foto da Úrsula em uma feirinha linda de artesanato local em Amargosa, BA. (Foto: Acervo Guiga Soares)

Há alguns anos, fui a uma festa junina super especial em Amargosa, cidade baiana a 240 km de Salvador. Fui acompanhando duas atrizes a convite de uma revista. Por coincidência, uma delas era Úrsula Corona, nossa companheira de blog, que hoje vive em Lisboa. O povo de lá nos recebeu super bem. Foi amável e acolhedor. A região é rural e tem um clima agradável. Às vezes, chegava até a fazer um pouquinho de frio à noite.


Essa viagem já tem algo em torno de 10 anos. Lembro que viajamos num avião bimotor pequeno. Decolou do aeroporto de Salvador, mas chegando a Amargosa, pousou num pasto das muitas fazendas que lá existem. Nunca havia voado num avião tão pequeno: eram 5 lugares apenas.


Alguns artistas estão se organizando para "lives" no clima caipira. Elba Ramalho e Lucy Alves no dia 19, Ivete Sangalo no dia 20 (ArraiádaVeveta) e Michel Teló no domingo, 21. É o jeito, né? Tenho aproveitado e curtido o clima caipira.


Você gosta de festas juninas? Vai sentir falta delas nesse estranho ano de 2020?

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