• Dani Paiva

Dançando com Boris, Charles e a Rainha


Essa pandemia esvaziou as ruas de todo mundo e, claro, de Londres. (Foto: Reuters)

Esse tsunami chamado Coronavírus começou a crescer enquanto eu estava de férias no Brasil para celebrar o aniversário de meus avós.

Meu primeiro confinamento aconteceu em São Paulo. As notícias tristes da Itália bombardearam o meio do descanso brazuca anual. E, a coisa toda de repente chegou bem pertinho. Um cliente do escritório em que meu irmão trabalha notificou a empresa sobre seu teste positivo para o Coronavírus. Minha família se isolou durante um fim de semana à espera de outros resultados. Tudo OK, estamos livres.

Rumei para Cuiabá, onde meu avô e a família de meu pai moram. Testemunhei a despreocupação ao abrir as portas lentamente para o medo e a sensação de que o calor acachapante não seria exatamente à prova de uma pandemia.

Vi meu avô aniversariante de 95 anos de outra ponta da casa. Acenei com a mão de longe e fingi ignorar as minhas lágrimas escorrendo em cachoeira.


VOLTAR PARA LONDRES FOI UMA DECISÃO DIFICÍLIMA

É uma Londres sem motor, sem barulho: muita mudança. (Foto: Reuters)

Estou me acostumando com essa Londres de motor silencioso e natureza querendo cantar. As construções estão parando e a ópera dos pássaros surge bonita sem a interferência da selva de pedra, sabe?

Tudo o que eu queria agora era um pouco de mato, mas a vida sempre foi muito urbana para isso. Pauta para a minha reflexão nesse isolamento.

As notícias seguem em cenas de filmes de terror. Demorou um pouco a bater a coisa toda na realeza e no alto escalão. Mas, bateu. Nem o príncipe Charles, nem o Primeiro Ministro Boris Johnson escaparam da contaminação, o que diz muito e a todos. O governo rebola para proteger o povo anunciando a compra de uma montanha de testes, pacotes de ajuda à cultura, aos trabalhadores e aos pequenos negócios.

O número de mortos cresce com brutalidade. E, os hospitais se seguram como podem no sufoco. Bonito de ver a população reconhecendo o esforço do sistema de saúde com palmas na janela de agradecimento esta semana.

As prateleiras esvaziam-se de latas e de molhos de tomate, já que o pânico invadiu mesmo o paladar. Meu Deus, pra quê estocar tanta lata de tomate? Encontrei tomates frescos no supermercado e ganhei na loteria! Recorri a um velho hábito da minha família, de preparar uma panelada de molho de tomates frescos e estocar no freezer em vidros reciclados.


Meu café da manhã sob o sol que vem chegando de mansinho pela janela ou pela varanda. (Foto: Arquivo Pessoal)

E, assim continuamos praticando Yoga pela primeira vez, tomando sol pela janela, cuidando da família do outro lado do oceano por meio da tecnologia, produzindo, criando e compartilhando.

Acabei de participar de uma festinha online de uma hora no Zoom com mais de 20 pessoas. Todos dançaram livres ao som de uma anfitriã DJ, cada um de seu quadrado, ao mesmo tempo juntos.

Vou fazer uma festinha e convidar Boris, Charles e a Rainha. Será que topam?

Eu, com meu irmão, em tempo de abraços que hoje me fazem falta

E, vocês, como estão se virando nessa fase da pandemia de Coronavírus? E, continuem seguindo a gente no Instagram e no Facebook. . Somos brasileiras em várias cidades do mundo vivendo essa tão delicada fase.

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